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quarta-feira, 2 de junho de 2021

NOVA DATA PULSAR 2021

Local: CACHOEIRA ALTA IPOEMA

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A década virou com força

O ano de 2020 entrou com tudo. O que estamos vivenciando hoje será intensamente relatado em livros, filmes e pesquisas do mundo do amanhã: "Dois Mil e Vinte: o ano em que a sociedade parou."

Que "parou" não, que foi obrigada a parar. Nós, humanos pós-modernos, nascemos em uma sociedade industrializada, organizada para otimizar os meios produtivos e multiplicar o capital. 
Viemos discutindo sobre como distribuir a riqueza desde os primórdios da nossa civilização. Mas nenhuma guerra entre povos por território, petróleo ou religião; nem nenhuma divergência econômica ou geopolítica; tinha conseguido jamais, deter tão repentina e massivamente, o ritmo humano sobre a face da Terra.

O paradigma do "super-humano" se evapora ao calor do caos. A proporcionalidade da tragédia parece inverosímil: o inimigo público da nossa sociedade, hiper-produtiva e tecnológica, resultou ser uma molécula de RNA de uns poucos nanômetros (curiosamente, uma linguagem genética que um dia também foi molde para a origem da Vida orgânica, há mais de 4,6 bilhões de anos). 

Como continuar alimentando a fantasia de que existe uma "pirâmide evolutiva" e que nos encontramos no topo dela? Estamos submersos em uma espiral de paradoxos, fractais de uma realidade irônica, que ataca nosso antropocentrismo voraz. 

Mas nem tudo é morte e colapso sanitário na pandemia. Entre as notícias tristes, se misturam iniciativas incríveis. Diversas ações solidárias à nível pessoal e comunitário estão acontecendo agora mesmo; uma avalanche de cultura (música, livros, filmes, aulas) está sendo compartilhado em escala mundial; a urgência de investir em ciência, pesquisa e saúde pública, nunca foi tão evidente para a sociedade; lembramos de ter empatia com as pessoas mais velhas (eternamente esquecidas da sociedade do consumo)...e por fim, milhares de espécies e biomas degradados descansam da gente. 

Ainda é cedo para dizer se além do sofrimento coletivo, ficará alguma aprendizagem coletiva relevante de toda essa fase. Mas com certeza, o mundo não será exatamente o mesmo, ou pelo menos, muito de nós, não seremos. 

"Tudo que é sólido desmancha no ar"

O clima de incerteza sobre o desfecho dessa crise mundial acabou com todos os planos de curto e médio prazo de todo mundo. Se isso já é difícil para uma única pessoa, para um coletivo é devastador. O Pulsar é sustento para muitas pessoas e famílias, tanto da cultura Psytrance, quanto da região do festival. 

Especular com quem está junto fazendo acontecer não uma opção para gente. E isso também inclui vocês, o público. Acreditamos que, só sendo transparentes, honraremos nosso vínculo, mesmo nos momentos difíceis.

Como já sabem, a essência do Pulsar é a de um encontro de artes alternativas e itinerantes na Natureza. Praticamente todas as estruturas são montadas do zero. É absurdo imaginar que daqui a um 1 mês poderemos retomar a venda de ingressos, com nossos fornecedores/as e colaboradores/as operando normalmente, sem afetar a logística e o tempos de montagem e pré-produção. 

Além do estrutural, o Pulsar VI será uma homenagem aos 20 Anos da Parvati Records (estávamos nos preparando para algo lendário!). No atual contexto, qualquer colaboração artística internacional é inviável: aeroportos fechados, turnês cancelados e uma quarentena obrigatória de 2 semanas para quem chega de países de alto risco. 

Não existe uma narrativa possível para gente se encontrar sem vibrar medo, ansiedade ou culpa. E mesmo que a questão sanitária e política se resolvesse subitamente, quanto tempo será necessário para digerir os desafios que deixarão os dias de isolamento? Como vai nos encontrar o final da quarentena: disponíveis para celebrar, ou precisando correr atrás de tudo o que ficou paralisado? E por último, mas não menos importante, quando vamos voltar a nos sentir à vontade para abraçar, beijar, dançar junto, participar de rodas de conversa, receber uma massagem no sol, uma terapia alternativa, ou se jogar na mesma canga? 

Depois de semanas avaliando a situação, decidimos que o adiamento do Pulsar VI para 2021 é a única opção sensata: por respeito a vocês, aos/às colegas produtores/as e por responsabilidade social com setores mais vulneráveis da sociedade. 

É uma decisão que nos abala profundamente. O Pulsar, como projeto independente de cultura alternativa, se sustenta integralmente da venda de ingressos para poder operar e crescer. 

Estamos otimistas que parte da família pulsante reconhece e valoriza a luta, e poderá manter seu voto de confiança, conservando seu ingresso antecipado para 2021 (*Fiquem atentos/as! Iremos anunciar uma surpresa para essa galera!).

Mas para quem não possa nos acompanhar em 2021, ainda pedimos um pouco de paciência. Estamos terminando de montar um protocolo de atendimento para minimizar os danos. Agradecemos a paciência e a empatía.

Hoje começamos navegar rumo ao Pulsar VI. A rota é nova, mas a tripulação é tenaz.

Permanecemos juntos!






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